Albatroz reabilitado retorna à natureza na Região dos Lagos (RJ)
Soltura de Albatroz-de-nariz-amarelo-do-Atlântico aconteceu após reabilitação e instalação de transmissor satelital
No dia 09 de setembro, um albatroz-de-nariz-amarelo-do-Atlântico (Thalassarche chlororhynchos) juvenil retornou à natureza após passar por um processo de reabilitação no Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) do Instituto Albatroz, em Araruama. Antes da soltura, realizada na praia de Pernambuca, a ave recebeu um transmissor satelital que permitirá acompanhar seus deslocamentos e conhecer as rotas percorridas pelo oceano. O Instituto Albatroz executa o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-BC/ES) em parte da Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A realização do PMP-BC/ES é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama.
Resgate e atendimento veterinário
O albatroz chegou ao CRD no dia 29 de agosto, apresentando fraqueza e dificuldade para se manter em pé. Durante a avaliação clínica inicial, a ave estava atenta ao ambiente e com temperatura corporal normal, mas permanecia deitada sobre o peito durante a maior parte do tempo. Também foram identificadas lesões compatíveis com pododermatite nos dois membros posteriores. A condição consiste em uma inflamação da pele na parte inferior dos pés, podendo provocar dor e dificuldade para apoiar o corpo e se locomover.
Para investigar a condição dos membros, foram realizadas radiografias, que não identificaram fraturas, luxações ou alterações ósseas significativas que justificassem a dificuldade de locomoção. Os exames indicaram apenas uma discreta redução da musculatura do membro esquerdo, possivelmente relacionada à atrofia por desuso.
Durante a reabilitação, o albatroz recebeu hidratação oral, suplementação nutricional e alimentação assistida, calculada de acordo com seu peso corporal. A ave apresentou boa aceitação e assimilação dos alimentos. O tratamento incluiu anti-inflamatórios, analgésicos, curativos nas lesões e terapias complementares. Com a ausência de lesões ósseas, foram iniciadas sessões de laserterapia e fisioterapia na água para reduzir o desconforto, estimular a musculatura e favorecer a recuperação dos movimentos.
Recuperação e monitoramento
Os exames hematológicos e bioquímicos realizados ao longo do tratamento demonstraram evolução favorável, com resultados compatíveis com os parâmetros fisiológicos esperados para a espécie. A ave também apresentou melhora progressiva da postura, da disposição e da capacidade de locomoção. Após sua completa recuperação, o albatroz recebeu um transmissor satelital no dia 07 de setembro, sendo solto no dia 09.
Projeto de Monitoramento de Praias
O Instituto Albatroz, que conta com um Centro de Visitação e Educação Ambiental Marinha em Cabo Frio, executa o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP) da Petrobras em Cabo Frio, Búzios e parte de Arraial do Cabo. São 25 praias monitoradas - de Unamar, em Cabo Frio, à Prainha, em Arraial do Cabo, passando pelas praias de Búzios - somando 54 quilômetros de litoral. O monitoramento é feito diariamente a pé e com o uso de quadriciclos por técnicos e monitores.
Durante a atividade, aves e tartarugas marinhas encontradas vivas pelas equipes de campo são encaminhadas para o Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD), em Araruama, também sob responsabilidade do Instituto Albatroz. Os animais encontrados sem vida também seguem para o CRD, onde são submetidos à necropsia para que a causa da morte seja determinada, quando possível. A população também pode contribuir, acionando as equipes de monitoramento ao avistar um animal marinho vivo ou morto nas praias, através do telefone 0800 991 4800.
O Projeto de Monitoramento de Praias (PMP) foi desenvolvido para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da PETROBRAS de produção e escoamento de petróleo e gás natural. A realização do PMP-BC/ES é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama.
Sobre o Instituto Albatroz
O Instituto Albatroz é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que desde 2003 trabalha em parceria com o poder público, empresas pesqueiras e pescadores para a conservação de albatrozes e petréis que se alimentam em águas brasileiras. O Instituto Albatroz coordena o Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, que conta com bases em Cabo Frio (desde 2014), Santos (SP), Itajaí e Florianópolis (SC) e Rio Grande (RS).
Telefone de contato para acionamento do PMP-BC/ES na Região dos Lagos: 0800 991 4800
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